25 anos da União Budista Portuguesa

25 anos da União Budista Portuguesa

A União Budista Portuguesa comemora no próximo dia 24 de Junho os seus 25 anos de existência

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O budismo em Portugal nasceu com a vinda para a Europa, no pós-guerra e sobretudo após os anos de 1960, de mestres orientais e ocidentais que acabaram por ser convidados a ensinar no nosso país. A sua presença ocorreu pontualmente nos anos 70, foi mais localizada e reduzida nos anos 80 e primeira metade dos anos 90, e amplificou-se desde a segunda metade dessa década.

Nestes primeiros anos do terceiro milénio, tem-se assistido a um notável desenvolvimento do budismo, com deslocações contínuas e anuais de muitos mestres budistas a Portugal, alguns deles figuras eminentes e famosas da actualidade. O impacte da sua presença e dos seus ensinamentos muito têm estimulado a prática do budismo em Portugal.

O mestre da tradição do Zen Soto Taisen Deshimaru, antigo discípulo do mestre japonês Kodo Sawaki, foi o primeiro mestre budista a visitar Portugal e a ensinar no nosso país, em 1971 e em 1972, a convite do mestre de aikido Georges Stobaerst.

Nos anos 90, a tradição Nyingmapa – a mais antiga do budismo tibetano – começava então a chegar a Portugal, com as visitas de Pema Wangyal Rinpoche, filho mais velho de Kyabje Kangyur Rinpoche, como resposta aos pedidos de discípulos, que tinham contactado com esta tradição na Índia e em França. Além do Zen japonês e do budismo tibetano, o Chan chinês foi outras das tradições que começaram a ter relevo em Portugal nos anos 90, particularmente na segunda metade dessa década.

No caso específico do budismo Chan, a sua importância no nosso país deveu-se ao crescimento e organização da comunidade chinesa emigrante de Taiwan.

Com vista a congregar numa associação as organizações, grupos e comunidades budistas já existentes ou que viessem a surgir posteriormente em Portugal, e com o propósito de os legitimar e defender legalmente, foi criada em 1997, a 24 de Junho, a União Budista Portuguesa (UBP), como organização religiosa sem fins lucrativos. Entre os sócios fundadores encontravam-se Fernando Santos, que viria a ser o seu primeiro presidente, mas também Paulo Borges, José Cardal, Elsa Cantos, Ana Vaz, Renato Campos, Leonor Moura, Leonor Miranda, Manuela Ferreira, Diogo Lopes e Cristina Lopes.

O templo-sede instalou-se na Calçada da Ajuda, em Lisboa. Mais tarde, procedeu-se à mudança para a localização actual, na Avenida 5 de Outubro, também em Lisboa.

Em 1998, a UBP filia-se na União Budista Europeia, uma organização reconhecida pela ONU.

Entre os seus objectivos, destacam-se:

  • apoiar e divulgar actividades no âmbito do budismo;
  • organizar reuniões de interesse comum aos seus associados;
  • dirigir convites a mestres budistas de diferentes escolas ou ordens para ensinarem em Portugal;
  • promover conferências;
  • fazer-se representar, em nome do budismo, no país e no estrangeiro;
  • fomentar a divulgação do budismo em Portugal;
  • promover debates ou programas diversos;
  • contribuir para a promoção do diálogo inter-religioso e integrar ações inter-religiosas.

Entre as tradições que se tornaram sócias da União Budista conta-se:

  • a Associação Internacional de Zen do mestre Zen Soto Raphael Triet, ex-discípulo do já referido mestre Taisen Deshimaru;

  • a tradição de Pema Wangyal Rinpoche, responsável pelo Centro de Retiros de Chanteloube, na Dordonha (França), que trouxe a Portugal o grande mestre tibetano Kyabje Trülshik Rinpoche, em 1999, e o XIV Dalai-Lama, em 2001 e 2007;

  • a escola Chan, ligada à Buddha’s Light International Association (BLIA), que, sob a supervisão do seu mestre supremo Hsing Yün, se oficializa no ano 2000, embora já existisse em Portugal desde 1996;

  • a tradição do abade Chökyi Nyima Rinpoche, do Mosteiro Ka-Nying Shedrup Ling, de Kathmandu, que se deslocou pela primeira vez a Portugal em 2002, por convite da UBP, e que a ela se associa em 2006;

  • no ano seguinte, traz a Portugal a instrutora de Zen Soto Roshi Catherine Genno Pagés, que tinha fundado o Centro Dana em Montreuil, às portas de Paris. A sua tradição tem sido continuada em Portugal por Roshi Amy Hollowell, sua antiga discípula e fundadora da Wild Flower Zen Sangha/Associação Zen Flor Silvestre, membro da UBP;

  • em 2006, deslocou-se ao nosso país o monge Ajahn Sumedho, discípulo do Venerável Ajhan Chah, da tradição Theravada da Floresta, estabelecendo esta tradição em Portugal, que também aderiu à UBP;

  • foi também convidado pela UBP a deslocar-se ao nosso país o mestre Zen Roshi Hôgen Daido, que aqui fundou um centro também associado à União Budista;

  • a tradição do Zen vietnamita, igualmente associada à UBP, veio para Portugal por intermédio de dois discípulos e a pedido do grande mestre Thich Nhât Han.

Nas suas duas décadas e meia de existência, a UBP tem desenvolvido vários projectos e acções, com o objectivo de:

  • agregar os praticantes e comunidades budistas,

  • tornar acessível o estudo e prática da via do Buda, nomeadamente com:

  1. a organização de visitas a Portugal de mestres de várias tradições budistas;

  2. a publicação de textos e organização de cursos e práticas;

  3. o desenvolvimento de projectos na sociedade, pela ligação à academia e governança, e através da promoção do diálogo intercultural e inter-religioso.

  4. desenvolvimento de projectos de meditação para crianças;

  5. prestação de apoio espiritual a reclusos, doentes e pessoas em fase terminal.

As actividades da União Budista Portuguesa podem ser acompanhadas em www.uniaobudista.pt ou nas nossas páginas no Facebook e no Instagram.

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