Espiritualidade e Religiões, em prática

Espiritualidade e Religiões, em prática

ERp Fevereiro Cartaz peq

Com António Marujo (7Margens), Paulo Sérgio Macedo (Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa) 

Organização: União Budista Portuguesa e Zen Flor Silvestre

28 de Fevereiro|às 21h00|União Budista Portuguesa

Sessão de 28 de Fevereiro

Neste encontro vamos refletir sobre a relação entre os media e a religião. Tendo sido lançado em Janeiro, em Portugal, um jornal digital sobre religiões, o 7 Margens, vamos conhecer este projeto e dar especial atenção às estratégias discursivas e suas implicações nos discursos sobre religiões no contexto sociocultural atual. 

 

António Marujo

António Marujo é jornalista desde 1985 e diretor do Sete Margens (setemargens.com). Trabalhou no Público desde a fundação (setembro de 1989) até janeiro de 2013, acompanhando a informação religiosa. Trabalhou no Expresso (1985-1989), na revista Cáritas (1986-89), no Diário de Lisboa (1989), e nos programas Toda a Gente É Pessoa (Antena 1) e Setenta Vezes Sete (RTP). Foi cocoordenador de um seminário no Centro de Formação de Jornalistas (Cenjor) sobre o Papa Francisco e a Igreja Católica (março de 2017). É o vencedor das edições 1995 e 2006 do Prémio Europeu de Jornalismo Religioso na imprensa não-confessional (Fundação Templeton e Conferência das Igrejas Europeias). É colaborador de dezenas de publicações nacionais e estrangeiras. É coorganizador de cinco antologias de textos de frei Bento Domingues. Colaborador de várias obras coletivas e autor ou coautor de duas dezenas de livros, entre os quais: A Lista do Padre Carreira, A Senhora de Maio – Todas as Perguntas sobre Fátima e Papa Francisco – A Revolução Imparável.

 

Paulo Sérgio Macedo

Licenciado em Relações Internacionais , pós graduado em Ciências da Comunicação, está a concluir a Tese de Mestrado em Comunicação Estratégica , sobre estratégias de Argumentação no discurso persuasivo e deliberativo. Diretor do Departamento de Liberdade Religiosa e Assuntos Públicos da União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia e Secretário-Geral da Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa.   

 

Sobre este Projecto

O que é pôr em prática a espiritualidade e as religiões?

Ao longo dos tempos, têm sido múltiplas as formas como as religiões se manifestam, todavia têm em comum situar a experiência humana numa dimensão que transcende ou liberta o indivíduo e o seu sentido mundano, consciente da transitoriedade da vida e, portanto, apelando a um desenvolvimento interior ou espiritual que contempla o cultivo do bem, de valores positivos e nobres.

Tradicionalmente, espiritualidade e religião foram termos sinónimos, ou, pelo menos, termos correlacionados partilhando uma grande área de sobreposição conceptual. Ambos envolvem a experiência do sagrado. Também se pode dizer que a religião é uma forma de espiritualidade uma vez que o objetivo da religião e respetivas instituições é apoiar a procura espiritual. No entanto, na segunda metade do século XX, em particular nalgumas partes da Europa e na América do Norte, espiritualidade e religião começaram a divergir. O entendimento de espiritualidade passa a estar conotado como caminho interior, numa relação direta do indivíduo com o divino/sagrado, distanciando-se das práticas e discursos tradicionais. A ênfase é deste modo colocada na procura individual, onde se incluem experiências místicas e novos modelos de espiritualidade, muitos deles inspirados em tradições espirituais orientais. Por outro lado, a esfera da religião passa a estar mais confinada à dimensão comunitária e organizacional, continuando a ser representante de um corpus doutrinário tradicional através das suas instituições. Este fenómeno de divergência tem sido interpretado por vários teóricos como sendo o resultado das tendências de secularização, desinstitucionalização, individualismo e globalização nas nossas sociedades. No que diz respeito ao contexto português, maioritariamente católico, a atitude de muitos crentes perante as instituições religiosas alterou-se. O crente contemporâneo é menos sujeito à autoridade religiosa, optando ou rejeitando aspetos da sua religião conforme a sua consciência.

Em paralelo, a vivência do fenómeno religioso tem-se tornado mais complexa com o florescimento de uma sociedade cada vez mais multicultural, em que diferentes religiões coexistem. Em muitas partes do mundo existe uma convivência pacífica entre as religiões e a emergência do diálogo interreligioso tem sido acolhido pelas responsáveis políticos, pelos cidadãos crentes e não crentes. Promover este diálogo é fomentar a paz e a harmonia sociais e evitar visões preconceituosas e fundamentalistas acerca da religião. Esta intenção preside também a estes encontros, nos quais teremos presente que qualquer forma de diálogo, atento à escuta e evitando julgamentos de valor céleres, se faz na abertura aos Outros e à sua diferença. Conhecer e refletir sobre o que nos une e o que nos diferencia, mantendo um respeito equânime por ambas as condições, são formas de garantir uma caminhada segura, em que não nos sentimos excluídos, discriminados ou agredidos.

Sabemos que a conflitualidade e violência é inerente à condição humana e que nem sempre é a via da Paz e da harmonia que os seres escolhem para lidar com as situações ou os seres que os rodeiam. Na Europa contemporânea há vozes que contestam a liberdade religiosa que se instituiu como legítima nas nossas democracias, e que temem uma sociedade plural. Estas posições lembram-nos da importância do diálogo interreligioso como instrumento de sensibilização na permanente construção de uma sociedade multicultural e multireligiosa. Ainda que numa convivência pacífica, como é o caso de Portugal, não devemos assumir que por se ter conquistado os direitos à liberdade de expressão e religiosa, elas estão garantidas no futuro.

Nestes encontros visamos contribuir para o alargamento do espaço da partilha entre as diferentes espiritualidades e religiões presentes na sociedade portuguesa. A nossa aspiração é criar um espaço que seja motivo para nos sentirmos mais em casa, numa casa comum, com diferentes vozes. Construir o diálogo constitui em última instância aquilo a que Peter Stilwell designou como o “esforço por equacionar o fundamento último da vida em comum” e atrair as comunidades religiosas a fazê-lo.

São igualmente formas de construirmos um futuro de paz, de nos sentirmos confiantes a partilhar e debater, mesmo entusiasmadamente, sobre os nossos pontos de vista. As nossas crenças, experiências e pensar são pontos de partida, que devem ser trazidos para este espaço como algo que implica por vezes aceitar a vulnerabilidade de quem se entrega e a suspensão de quem se questiona. Conhecer, debater e confrontar são, assim, instrumentos de enriquecimento interior e não atos de imposição ou recriminação de ideias e crenças. Desejamos que estes encontros sejam um lugar seguro para todos, cuja única ameaça poderá ser sentirmo-nos vulneráveis na abertura aos Outros.

 

Objectivos destes encontros

  • Aproximar o diálogo e experiência interreligiosas às comunidades de crentes de diferentes religiões, a todos os crentes que não se revêm em nenhuma religião, e a todos os que, não sendo crentes, poderão aqui encontrar um ponto de interesse.

  • Gostaríamos de oferecer ocasiões em que a atualidade dos temas ou das experiências estivesse em foco. Acreditamos que assuntos prementes na nossa sociedade, compelindo à reflexão e ao debate, tenham uma maior recetividade por parte dos membros das comunidades levando-os a uma maior participação nestes encontros.

  • Outro dos nossos objetivos é inspirar os membros das várias comunidades religiosas ou outros cidadãos a criar iniciativas desta natureza com impacto social ou cultural relevantes.

  • Proporcionar através do formato aberto destes encontros diferentes experiências de partilha que dinamizam de forma criativa o diálogo interreligioso como projeto cultural.

 

Formato dos Encontros

Optámos por um formato aberto para estes encontros. Neste sentido, as nossas práticas do diálogo podem ser de cariz mais teórico ou mais prático, abrangendo diferentes propostas.

Alguns encontros serão organizados na modalidade de debate em que os intervenientes abordam temas específicos, outros em formato de tertúlia ou entrevistas, os quais estão abertos à participação do público. Poderemos também promover workshops práticos ou práticas em conjunto que dinamizem atividades específicas para cada temática, tal como experiências de cariz religioso/espiritual dinamizadas através de práticas artísticas, culturais, sociais ou outras.

Abordaremos aspetos relacionados com o ideológico /doutrinário, filosófico, ritual-celebrativo, praxística, e também com as atitudes, experiências e emoções do fenómeno religioso e espiritual. Teremos presente a consciente e necessária permuta dos contributos provenientes da cultura e conhecimento laicos.

Conforme agendados estes encontros serão anunciados via Newsletter, Site e Facebook da UBP e seus parceiros.

Caso deseje contatar-nos para esclarecimentos e para nos propor alguma iniciativa:

Catarina Rodrigues: catarinarodrigues@uniaobudista.pt

João Ferreira: 918314042

 

 

 

 

 

 

 

 

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