Declaração da UBP sobre a Morte Assistida

Declaração da UBP sobre a Morte Assistida

conferencia inter-religiosa foto

Numa conferência inter-religiosa sobre a eutanásia, organizada pelo Grupo de Trabalho Inter-religioso Religiões-Saúde,  foi apresentada ao público e assinada, no dia 16 de Maio, uma declaração conjunta entitulada ‘Cuidar até ao fim com compaixão’.

Esta declaração conjunta reuniu o consenso de oito Igrejas ou comunidades religiosas presentes em Portugal - budistas, cristãs, muçulmanas, judaicas e hindus - na sua preocupação e oposição da actual tentativa de legalização da eutanásia.

Anexada a esta declaração conjunta constam também as declarações de cada confissão. Passamos a tornar pública a declaração da UBP sobre este assunto:

 

A MORTE ASSISTIDA E COMPAIXÃO: UMA PERSPECTIVA BUDISTA

Segundo o ensinamento do Buda, a vida humana é o bem mais precioso que possuímos. É esse o motivo de ser, nesta tradição, tão importante a contemplação sobre a morte e o morrer. A preservação da vida humana é assim o acto mais meritório que pode ser feito, sendo que o acto deliberado de encurtar a sua duração, em geral, se traduz em mais sofrimento para todos os envolvidos, desde os familiares e próximos e também aos que nela assistem, mesmo que indirectamente.

Segundo a tradição budista, é de maior relevância abordar a eutanásia ou morte assistida com uma consciencialização clara do que é morrer, do seu processo e das suas consequências, respeitando as crenças e valores individuais. Importante também é distinguir diferenças, como entre uma escolha de abdicar de um prolongamento artificial da duração natural de vida do seu encurtamento deliberado, bem como a questão de cada situação ser considerada caso a caso. A salvaguarda do direito inolvidável da pessoa poder preservar a sua própria vida e de ter as condições para ter um fim de vida digno e humano, respeitadoras da sua própria espiritualidade, é fundamental.

O Buda salientou a importância da bondade e do desejo de aliviar o sofrimento dos seres, baseado no conhecimento das suas causas e razões, numa perspectiva abrangente. Um alívio temporário da condição presente, pode ser causa de sofrimento no futuro, sendo por isso, no nosso entender, indispensável que todos os vários aspectos sejam seriamente ponderados em cada situação desta natureza.

União Budista Portuguesa

Lisboa, 15 de Maio de 2018

 

 

Close